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Friday, 8 March 2013

Cenas (3)

Devíamos todos pensar no BCE, o estripador dos países em crise, sempre que há uma qualquer argumentação sobre a troika, o ajustamento, o memorando, o "bom aluno", o que quer que seja nesta temática. Não digo mais nada, vão ler o post no Aventar.

Também muito actual, mas noutra temática, um post recente no Viagem a Andrómeda levou-me a a este artigo interessante no Amazing Stories sobre o investimento actual no cinema fantástico. Quem me conhece já sabe o quanto me irrita a multiplicação de sequelas e divisão de histórias para permitir trilogias, tetralogias e afins. Já devem saber o quão triste, embora não surpreendido, fiquei quando constatei que o Cloud Atlas ia ser ignorado por tudo o que é prémio de cinema internacional, ainda que tenha sido não só o melhor filme de ficção especulativa de 2012 mas também dos melhor filmes que vi nos últimos tempos. Este artigo comenta - e critica - esta tendência de cinema de consumo / produção em série / descartável em que se está a transformar a produção sci-fi internacional, particularmente a "hollywoodesca". Não concordo no entanto com a desvalorização de tudo o que tem sido feito recentemente a esse nível. Tem havido alguns trabalhos muito bons (como o Inception, lá referido), mesmo a nível de trilogias (Lord of the Rings  claro, mas também um bom começo dos Hunger Games). Falta ainda fazer o devido reconhecimento aos novos filmes de superheróis, que têm vindo a mostrar que este género específico permite criar obras relevantes e inspiradoras tal como qualquer outro (aqui faço a óbvia referência ao The Dark Knight, esquecendo o último falhanço, mas também a X-Men: First Class e até The Amazing Spider-Man). De notar que eu gosto de regressar a alguns dos "franchises", como Star Trek ou (a esperança é a última a morrer) quiçá Star Wars, e que não me incomodo com "remakes", o que cansa é quando todo o dinheiro e meios de produção vão para estas coisas e sobra pouco interesse, por vezes até do público, para trabalhos verdadeiramente inovadores.

Por fim, resta-me recomendar um site que descobri recentemente - Open Culture - que é descrito como "the best free cultural & educational media on the web". É um agregador de coisas tão variadas como cursos online de várias temáticas e línguas, livros ou filmes gratuitos, notícias ou artigos de opinião, documentários, etc.. A título de exemplo, deixo-vos a peça em referência ao documentário narrado por Leonard Cohen sobre a religião tibetana e o seu livro dos mortos.

Monday, 18 February 2013

Cenas (2)

No Viagem a Andrómeda, um dos blogs mais interessantes do que eu conheço da blogosfera portuguesa - e ainda por cima dedicado ao fantástico - o João Campos publicou uma discussão muito interessante sobre a eterna discussão sobre originalidade e referências nas obras de ficção tendo como ponto de partida o artigo de Paul Cook no Amazing Stories denominado The Lazy Apocalypse.

O Brain Pickings é um sítio com tanta coisa interessante que eu mal consigo ler com atenção tudo o que lá aparece, por mais que queira. Tenho quase sempre a leitura do blog com um atraso de mais de 40 posts. Falo dele desta feita porque li um post muito bom em que se comenta uma carta de Galileo depois de ser atacado pelas suas explorações e descobertas. A sua defesa e contra-ataque baseiam-se numa argumentação que devia ser reconhecida por qualquer crente de qualquer religião, mas que infelizmente ainda hoje é largamente ignorada por boa parte deles. Nunca devemos aceitar que textos escritos por homens e interpretados por homens tenham um valor mais alto do que a própria criação. Se acreditarem que um ser divino criou os humanos tal como eles são, que sentido faz proibirem alguns de usarem as capacidades que lhes foram dadas, os sentidos, a curiosidade, a inteligência? Independentemente daquilo em que acreditam, aconselho a todos a leitura deste post, em respeito à figura histórica mas principalmente porque uma boa argumentação é uma delícia de se ver.

A terceira "cena" interessante que quero partilhar é esta talk do TEDxWomen. iO Tillett Wright não só apresenta um projecto fotográfico muito interessante - Self Evident Truths - como faz uma argumentação brilhante contra o preconceito de género e sexualidade. A mim parece-me que qualquer pessoa que viva no mundo real há meia dúzia de anos já tem alguma obrigação de saber isto, mas é um facto que demasiada gente ainda tem a cabeça mais dura que um Prenocephale e faz um esforço por não estar disposto a perceber o mundo de outra forma que não aquela a que se habituou ou foi habituado, mesmo quando isso implica destruir vidas completamente.