Showing posts with label Steampunk. Show all posts
Showing posts with label Steampunk. Show all posts

Sunday, 6 October 2013

The Steamworld Chronicles #1 by Steven Hoveke, Mike Scigliano, Ben Risbeck et al

Participei na campanha do Kickstarter que financiou o projecto e como recompensa recebi a versão digital do primeiro número de "The Steamworld Chronicles - The Constantine Quest: Part 1".



Esta é uma típica história de mistério e aventura posta num mundo em tudo familiar aos fãs de steampunk, com dirigíveis, comboios e helicópteros a vapor e uma personagem principal que lembra o Indiana Jones.
A arte é competente mas de certa forma banal, sem surpresas nem um estilo que a destaque ou a faça trazer algo mais à obra.
Sendo esta apenas uma parte introdutória deste "The Constantine Quest", é demasiado cedo para me pronunciar em relação ao desenvolvimento do enredo ou das personagens que têm para já um tratamento bastante superficial e limitado aos clichés habituais.

Sendo assim, The Steamworld Chronicles será um entretenimento de interesse essencialmente para os fãs do visual e contexto steampunk. O enquadramento é suficientemente indefinido para que haja potencial para muito mais e espero que ao longo dos próximos números a história se torne complexa e vá permitindo explorar alguns temas a que o steampunk de qualidade se costuma associar.
Mais informações sobre esta e as próximas histórias estarão disponíveis em steamworldchronicles.com.


__________________________________________________________________________



I contributed to the Kickstarter campaign that financed this project and as a reward I got a digital version of "The Steamworld Chronicles - The Constantine Quest: Part 1".

This is a rather typical adventure and mystery story in a world quite familiar to steampunk fans - with blimps, steam trains and helicopters -  and a main character similar do Indiana Jones.
The illustration is competent but kind of trivial and unsurprising, with a commonplace style.
Being this just an introduction to "The Constantine Quest", it's far too soon for me to comment the plot's development or the characters, for now quite cliché and superficial.

The Steamworld Chronicles is entertaining, though of interest mostly for fans of steampunk visuals and context. The frame is still undefined so there is potential to use the next numbers or stories to make these chronicles ever more complex and explore some of the themes that good quality steampunk works usually tackle.
More information available at steamworldchronicles.com.

Sunday, 24 February 2013

Política, Sociedade, Economia e Steampunk - progresso tecnológico vs. social

Fiquei a pensar nisto depois de ler um post no Aventar. Na verdade é algo em que penso de vez em quando, mas desta feita, foi esta história de alguém se recusar a pagar nas caixas self-service por querer manter os empregos dos operadores de caixa registadora que me trouxe ao assunto.
É claro que esta preocupação é compreensível, aliás, é até típica do momento em que vivemos. É mais sobre essa questão que me quero debruçar.

A literatura e a animação ditas steampunk (algo a que ando um pouco mais dedicado no último ano) exploram frequentemente esta questão da substituição do homem pela máquina e as consequências disto para a sociedade. Foi aliás com isto em mente e pela analogia com o momento que vivemos hoje que escrevi o texto com que participei no Almanaque Steampunk 2012. Aquela visão crítica que levou os trabalhadores contemporâneos da revolução industrial a revoltarem-se contra as máquinas e os motores a vapor é contraposta frequentemente nas obras steampunk com os benefícios que o progresso tecnológico pode trazer. As conclusões, se o livro for bom, são deixadas à discrição do leitor. Aquilo que permite esta contraposição, que nos impede de dar imediatamente razão aos trabalhadores, é a esperança, e é agarrado a ela que vem o tom positivo ou optimista que se encontra muitas vezes nestas obras. A esperança de que o progresso nos fará bem a todos, a esperança de que a sociedade vai apoiar os trabalhadores que vão sendo substituídos na sua transição para outras funções e a esperança de que isto permite que as pessoas se ocupem somente com funções em que seja mesmo essencial um ser humano ou com funções que gostem genuinamente de realizar. O progresso tecnológico deveria permitir aos seres humanos vidas cada vez mais descansadas, uma menor dependência do trabalho (principalmente o físico) ou pelo menos uma necessidade de trabalhar restrita a poucas horas ou dias, e a rentabilidade do uso de máquinas deveria resolver o problema da produtividade permitindo eliminar a diferença de qualidade de vida entre os que ganham muito e os que ganham pouco, os que têm ou deixam de ter emprego.
Infelizmente, nem que tecnologicamente tudo isto fosse possível, a nossa sociedade não está pensada dessa forma. As pessoas acreditam no valor do trabalho quase como uma definição do valor da pessoa. Se imaginássemos um mundo em que as pessoas não teriam que trabalhar praticamente nada porque as máquinas o fariam por nós, muitos nos diriam que isso seria horrível e que decerto a humanidade se perderia no ócio e se destruiria. Se isto é verdade ou não, pelos vistos não estamos perto de o descobrir.

A verdade é que as pessoas que lideram a nossa sociedade, nas sombras ou não, não querem que o progresso se faça às claras e nessa direcção. Porque isso implicaria uma divisão de recursos relativamente igualitária, implicaria que deixaríamos de ter desculpa para manter tanta gente na miséria ao mesmo tempo que sustentamos tantos milionários. Se um dia o valor de uma pessoa e o seu acesso aos produtos não for determinado pelo seu trabalho, e esse trabalho não for controlado por estes mesmos "jogadores", como é que eles se poderiam manter a viver no topo do mundo, com mais do que quaisquer outros, com tudo o que possam imaginar? Só seria possível se o progresso de facto nos levasse a uma certa utopia em que a produção fosse tão elevada e rápida que não haveria limites ao consumo para nenhuma pessoa.
Para já, o facto é que ainda não estamos perto disso, aparentemente o ser humano ainda precisa de trabalhar muito para se sustentar (ou é isso que nos querem fazer acreditar - teoria da conspiração?). Para além disso, à conta de quem nos dirige e define as nossas prioridades (não digo só a nível nacional, mas também e principalmente internacional), não temos de todo um bom sistema de suporte àqueles que, sendo substituídos nas suas funções por máquinas, perdem o emprego que justificava o seu acesso a bens e serviços. É que, no momento em que vivemos, nem há expectativa da pessoa ter outro emprego em tempo útil, nem da sociedade usar excedente para sustentar esta pessoa enquanto espera e muito menos da pessoa poder viver sem emprego e dedicar o seu tempo ao que lhe der na cabeça, por exemplo em actividades que contribuam ainda mais para o nosso progresso (demasiada utopia?).

Enquanto não nos livrarmos desta liderança, desta ditadura social e económica, desta ilusão em que nos obrigam a viver, será sempre legítimo fazer o raciocínio que Mário Teixeira partilhou no Aventar. Porque, ao contrário do que nos tentam constantemente fazer crer, mais importante do que o futuro, o progresso tecnológico, a produtividade numa tarefa específica, mais importante que tudo isso nas nossas decisões a cada momento é a pessoa, aquela mesma pessoa cujo destino estamos a decidir constantemente, sempre que optamos pela máquina e a deixamos entregue a um sistema que, como acabo de descrever, não fará nada do que promete, não a protegerá e, aliás, usará o seu desespero e o de tantos outros para lhe oferecer um trabalho ainda menos remunerado. Enquanto não nos salvarmos disto, não saberemos de facto em que ponto estamos a nível de produtividade, de rentabilidade, de possibilidades quanto à justa divisão de esforços e produtos. Infelizmente, e olhando especificamente para Portugal, não vejo maneira de isto acontecer. Todas as forças políticas de representação parlamentar e praticamente todas as opiniões mediáticas concordam pelo menos nesta ideia de valorizar os "trabalhadores" ou o "trabalho" em vez de valorizar a pessoa. A direita faz-nos crer que as pessoas têm que se esforçar para ser as melhores no seu trabalho e que assim terão uma boa vida, a esquerda agarra-se ao discurso dos direitos dos trabalhadores. Poucos conseguem pensar, ou pelo menos fazer chegar ao público, uma visão que tenha em conta este ponto, que olhe para as pessoas independentemente do trabalho, do emprego, do contributo verificável. Poucos se questionam abertamente sobre a falta de progresso social apesar do tecnológico. Agarram-se à qualidade de vida medida por bens de consumo e esquecem-se que o que queríamos do progresso tecnológico era que nos permitisse fugir da organização feudal da sociedade, em que os ricos têm tudo porque são ricos, os que trabalham têm algo porque trabalham e os que não trabalham não interessam nada. Será que ainda faz sentido, nos dias de hoje, ver as coisas assim? Será que ainda não atingimos um ponto em que é ridículo esperar que toda a gente trabalhe tanto como as leis obrigam? Não sabemos. E é assim, feito anfíbio na panela com água a aquecer, que vamos nadando de um lado para o outro enquanto nos cozem em lume brando.

Tuesday, 5 February 2013

Live Hangout com a Clockwork Portugal

Já falei anteriormente da minha colaboração com a Clockwork Portugal aqui no blog. Desta feita participei pela primeira vez numa conversa em directo com a Sofia Romualdo e a Joana Neto Lima sobre os livros que lemos ou planeamos ler, séries e filmes que gostamos, projectos futuros e até sobre o facto de eu estar sentado na cama. Com a excepção da última referência, tudo dentro do assunto do steampunk ou com ele relacionado. Foi uma experiência muito interessante, a conversa  foi variada e engraçada e pudemos responder a alguns dos comentários que nos foram deixando no youtube, no twitter ou no facebook. A repetir no futuro, sem dúvida. Se estiverem interessados, já está disponível e dura pouco mais de uma hora (não era para ser tanto mas não conseguimos parar antes):




O passatempo para ganhar um exemplar do Lisboa no Ano 2000 (organizado pelo João Barreiros e publicado na colecção Bang! da Saída de Emergência) que referimos no final já está disponível aqui e aberto até 13 de Fevereiro, participem!

Monday, 19 November 2012

Steampunk and Clockwork Portugal or the story of where I've been all this time

Como acontece ciclicamente comigo, mais uma vez passei uma temporada sem produzir conteúdo para o blog. Não que não tenha o que dizer ou vontade de escrever no blog, mas porque o tempo é pouco, a capacidade de concentração é esgotada pelo trabalho e porque há novos projectos a ocupar o que resta de ambos. É disso que decidi falar desta feita, porque este ano tem sido marcado pela minha participação num projecto que envolveu outro blog, um tumblr, uma webseries e uma convenção: a Clockwork Portugal - uma comunidade portuguesa dedicada ao steampunk em todas as suas vertentes.

Nesse sentido, parece-me útil começar por falar do steampunk, mas não me proponho fazer uma definição absoluta ou uma listagem exaustiva do que a ele pertence, somente focar-me no que eu procuro ou no que me promete o steampunk. Apesar de ser fã de ficção especulativa, tanto na literatura como no cinema ou nos jogos, desconhecia o steampunk como género até há bem pouco tempo. Há no entanto elementos tipicamente explorados nos trabalhos que nele se inserem que me interessam particularmente, nomeadamente o impacto na sociedade do desenvolvimento tecnológico e a alteração dos valores e costumes sociais desenvolvida a partir de um contexto extremo como é o do mundo da revolução industrial, do império britânico vitoriano, do declínio do escravagismo, da emancipação da mulher, não só pelo interesse histórico autocrítico e pela exploração do que é ou tem sido a humanidade, mas também pelo paralelismo com o que vivo e vejo na sociedade contemporânea. Aquilo que torna o steampunk reconhecidamente distinto dos restantes tipos de ficção especulativa não é, no entanto, nada disto, mas sim o facto da tecnologia explorada ser a do vapor e das engrenagens. É talvez por esta característica que o steampunk é hoje muito conhecido, associando-se a um autêntico movimento estético, grupos de cosplayers e roleplayers (aqui também a importante influência da roupa e costumes da Inglaterra vitoriana, claro), desenho, pintura, jogos e até um revivalismo das máquinas a vapor ou a corda, das engrenagens visíveis, dos metais não pintados. É importante referir que isto ultrapassa o aspecto estético, havendo vários criadores que trabalham novamente com esta tecnologia para obter gadgets que funcionantes num espirito do-it-yourself que tem estado muito associado ao movimento steampunk. Uma das características importantes da tecnologia da era do vapor, que lhe permite ocupar este lugar de destaque, é o facto de se localizar claramente, do ponto de vista dos leigos, na distinção entre a ciência e a magia. Aliás, tal como Arthur C. Clarke disse no Profiles of the Future"any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic" e de facto nunca mais, desde ultrapassada a era do vapor, nós pudemos dizer que percebemos bem o funcionamento das máquinas das quais o nosso dia a dia e a nossa sociedade dependem. Talvez seja também por isso que nas obras steampunk se vê frequentemente um cruzamento entre a ficção científica e fantasia com feitiçaria, demónios ou monstros, normalmente em conflito uns com os outros. Sendo este um dos tais elementos que me estimula a procurar trabalhos deste género, o outro não menos importante é o facto de permitir explorar e questionar os costumes, a moral, o que é suposto ser ou fazer, o tradicional "tem que ser". O tal espírito autocrítico, de repensar a sociedade e a humanidade, em especial no que toca a estas temáticas, é algo que não só me interessa como me parece de especial utilidade na nossa evolução. Não chega saber a história, não chega aprender com o que aconteceu, é importante explorar bem os processos, o que levou a certo tipo de acontecimentos, a cada organização ou estratificação da sociedade, a certa definição do que está certo ou errado, do que é melhor ou pior, etc.. Só assim podemos ultrapassar os preconceitos estabelecidos que nos prendem e nos limitam o raciocínio e a acção sobre as pessoas e o mundo. A ficção especulativa de grande qualidade sempre teve esse papel, seja a ficção científica futurista ou espacial, seja a ficção histórica, seja a distópica, e neste contexto o steampunk tem um papel especial por se localizar temporalmente num momento da nossa história do qual conhecemos muito do que correu bem e mal, do que aconteceu antes, durante e depois, e acima de tudo, porque é muito claro o sistema de valores e moralidade vigente na altura o que torna mais fácil jogar com tudo isto ou tentar prever as consequências de alterar algum factor. Desde a igualdade de direitos entre os sexos e raças, da importância de cada indivíduo se submeter ao que a sociedade lhe força ou pelo contrário seguir o seu próprio caminho contra tudo o que é suposto, ao valor do e segurança no trabalho e à dependência crescente da sociedade de fontes de energia específicas e muito mais, são várias as situações que uma obra steampunk pode usar para nos dar food for thought. Claro que nenhuma obra trata tudo isto, e alguns livros supostamente steampunk fazem pouco mais que incluir um herói e um cientista maluco com máquinas a vapor, mas são estas possibilidades que me mantém interessado no género literário.

Explicado que está o meu gosto pelo steampunk como temática, percebe-se porque me senti aliciado a ajudar as minhas amigas com o seu projecto de criar uma comunidade steampunk portuguesa e preparar a participação do nosso país na EuroSteamCon, uma convenção internacional multicêntrica simultânea. Se inicialmente a minha oferta de ajuda foi algo genérica, acabei por me tornar parte integrante da equipa, junto com a Sofia Romualdo, a Joana Lima e o Rogério Ribeiro. A princípio a minha ideia era ajudar com o blog, escrever sobre livros, séries, jogos, notícias, mas de repente dei por mim a filmar uma webseries sobre obras steampunk (ver links abaixo) e a ficar responsável pelo tumblr onde partilhamos trabalhos que se integram no género. Como se isto não chegasse, ainda conseguimos decidir que a nossa participação na EuroSteamCon - ainda que a primeira e apesar da inexperiência da maior parte da equipa - seria uma convenção propriamente dita, com direito a dois dias de programação. Parece que isto chegaria para ocupar o que resta do nosso tempo livre (em especial considerando que a minha participação se cinge às horas livres após emprego oficial) e da nossa margem de manobra financeira (patrocínios em € = 0) mas na verdade não ficámos por aqui. Decidimos preparar para este momento um Almanaque Steampunk, para o qual aceitámos trabalhos submetidos por qualquer pessoa no final de Julho e primeira quinzena de Agosto. A escolha dos textos, preparação das nossas próprias participações, edição e afins tarefas ocuparam muito mais tempo e deram muito mais trabalho do que o que eu esperava (e lembrar que foi neste momento que, no contexto de fazer o trabalho de design para o almanaque, conseguimos mais uma colaboradora, a Joana Maltez), mas tenho que admitir que ter o livro na mão e depois lança-lo na convenção me deu uma sensação de realização pessoal raramente atingida noutras situações. A EuroSteamCon - Porto, que tivemos o prazer de realizar no Parnaso, foi um desses momentos: os convidados foram fenomenais, tivemos casa cheia nos dois dias e a interacção com as pessoas foi fantástica. Temos o hábito de falar do quanto "outras pessoas" conseguem fazer, de quantas coisas acontecem "noutro lugar" e de repente provámos a nós próprios que mesmo sem apoio monetário, mesmo a começar do nada, com esforço e dedicação algumas coisas são possíveis. Tenho que dizer claramente que não estou com isto a tentar glorificar o trabalho voluntário, aliás a minha experiência permite-me afirmar com facilidade que um projecto como este com pessoas remuneradas, com horas dedicadas e fundo de maneio correria ainda melhor, tanto para os organizadores como para os participantes. Mas olhando para o que conseguimos, para os projectos de que fiz parte ao longo deste ano, só posso sentir orgulho.

Para quem quiser saber mais sobre tudo isto:


 - Tumblr (o meu novo trabalho a tempo inteiro :)

 - Diários Steampunk (a tal webseries)

 - Almanaque Steampunk (ler, ler!)


Por fim, há mais um motivo para eu não ter tempo para escrever no blog: agora tenho dois gatos, um que dorme em cima de mim quando estou ao computador ou então tenta trepar cortinas e outro que só se estiver a dormir é que para de por a minha casa em perigo de precisar de um "Extreme Makeover".