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Friday, 25 April 2014

25 de Abril

Hoje celebra-se o dia em que soubemos procurar o Portugal que queríamos, o dia em que passamos a poder lutar activamente pelo Portugal que queremos sem medo de censuras ou represálias, o dia em que caíram os poderosos, substituídos por quem soube dar o poder à democracia. Que nunca o esqueçamos, que nunca caiamos no erro de sequer pensar que não estamos melhor mas também que nunca fiquemos convencidos que a luta terminou. O facto de podermos falar nisto mostra que estamos infinitamente melhor do que antes, mas o facto de ainda confundirmos a liberdade democrática com tantos outros desejos que temos para o país mostra que ainda não alcançámos essa civilização com que sonhámos e ainda sonhamos.

A luta continua, mas hoje, celebre-se a liberdade e critique-se a falta de transparência, a falta de abertura, as meias verdades, as inverdades e o newspeak - os tiques autoritários que nos lembram tão bem o valor do 25 de Abril.


Carnation by Kondratij

Saturday, 12 April 2014

Governação a dois tempos


É inacreditável como ainda não aprendemos. Os meios de comunicação social continuam a colaborar com o governo na sua estratégia de modular a reacção dos portugueses às medidas que tomam.

Pela enésima vez, tivemos comentadores profissionais e "fugas" de informação que previam cortes de um determinado número de milhares ou milhões ou milhares de milhões de euros e depois o governo avisa que o corte vai ser inferior. Claro, a comunicação social abre os telejornais e enche as primeiras páginas com a notícia: "afinal os cortes não vão ser tão maus". E assim, gerindo as expectativas, o governo consegue sempre dar um ar de benevolente a cada momento de "ajustamento" orçamental, sejam lá quem forem os prejudicados desta feita. Só nos falta agora a última fase, os comentadores habituais terminarão o assunto mostrando-se contentes por estar enganados, comentando como o esforço hercúleo do governo ou os efeitos da confiança dos mercados e dos parceiros e dos credores estão a permitir um processo de ajustamento muito "menos mau" do que poderia ter sido. Daqui a pouco começarão novamente a trazer informações privilegiadas sobre uma outra medida terrível, uma nova obrigação de austeridade, um valor astronómico assustador de cortes. Talvez desta vez esperem para depois das eleições, a ver se chegamos ao acto eleitoral com a temática do possível aumento do salário mínimo, para ver se os partidos da coligação perdem menos votos.

Entretanto, o país continua a estar melhor (medíocre) apesar das pessoas estarem pior (miseráveis). É uma tristeza enorme pensar que estamos prestes a comemorar o aniversário da revolução que nos trouxe à democracia com o governo mais orwelliano que tivemos desde então.