Tuesday, 12 February 2013

Brave New Worlds: Dystopian Stories edited by John Joseph Adams

I requested this anthology from NetGalley because of the name - who doesn't want to read anything good related to Brave New World? - and because it was edited by John Joseph Adams whose work I've been curious about for a while. I got this selection which consists in the three short stories added to its second edition. Another important factor was my being a fan of dystopian fiction.

The three stories have a previous sort of preface where the author is presented and the theme of the tale that follows is hinted or offered some background information.

The first story is The Cull by Robert Reed and was probably my favourite of the three. It reminded me of Wool, in which it follows a community shut off from the outside world where individuals are excluded when they step out of line apparently by sending them away from the place to an outside world where they surely can't survive. Similarities kind of end right there though. We are told the story by an android medical doctor who is a kind of keeper, simultaneously the doctor and the judge of the humans he "tends to". This tending involves the use of some brain implants that keep everyone in the community (or almost everyone) feeling happy all the time - and this is where I smiled and remembered Huxley's soma. He slowly unveils not only what happens to a kid who is becoming dangerous, behaving aggressively and rather unpredictably in various situations, but also what his intentions towards the whole community are. But he does it so slyly and slowly that the reader is as tricked as the kid or the people right to the very end and is still left questioning how to should judge the doctor's actions.

The second story, by Jennifer Pelland, is called Personal Jesus (yes, the Depeche Mode song). Here, this concept is given a very material interpretation: your Personal Jesus is an object that everyone in the country has connected to their body, forever controlling your social and personal behaviour by means of electric shocks full of divine love and care. The fact that it is written as an enumeration of rules, as if you were given the leaflet on how to live in the Ecclesiastical States of America, adds to the fun and had me laughing out loud.

The last story is The Perfect Match by Ken Liu and I'll start by saying it isn't just a romance in the dystopian age. It does have some of that, but the main focus is driven widely away from it and into the exploration of what this world of communications and informations directed by algorithms can lead us to. There were some moments where the narrator decides to tell you the interpretation you could be making on your own, which is a bit annoying specially in a story exploring this theme, but overall it's a good tale and does question very important issues. Ken Liu reminds us, on one side, that we are already being controlled by those who choose which news or updates to put up at the top of our lists or timelines, and on the other side, of what a world where we grow isolated, each one only seeing and doing what he supposedly wants or likes a priori, looks like.

The book ends with some recommendation pages, on dystopian films and books worth watching or reading. Something I should never read again, should I want to have money to buy food and pay bills and space in my room to live.
This selection worked really well as a sneak preview of the anthology, so much that I instantly added the book to my wishlist. Highly recommended for people who like dystopian works, short fiction or overall science fiction fans.


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Requisitei esta antologia no NetGalley por causa do nome - qualquer coisa relacionada com o Admirável Mundo Novo me interessa - por ter sido editada por John Joseph Adams, cujo trabalho me desperta bastante curiosidade, e por ser ficção distópica. Foi-me dado acesso a esta selecção de três histórias que foram adicionadas à primeira edição publicada.

Cada história começa com uma apresentação do seu autor e uma introdução ou referência relacionada com o tema a explorar de seguida.

A primeira história é The Cull de Robert Reed e foi provavelmente a minha favorita. Lembrou-me do Wool por ter uma sociedade isolada do mundo exterior onde indivíduos são expulsos para o exterior quando se tornam diferentes, perigosos, na expectativa de que morram sem recursos. As semelhanças, no entanto, ficam-se por aqui. Em The Cull a história é contada por um andróide que é uma espécie de pastor, simultaneamente médico e juiz dos humanos que "guarda". Tomar conta dos humanos aqui implica o uso de implantes cerebrais que o andróide controla de forma a manter toda a gente - ou quase toda - constantemente feliz (recordando-me a soma do Huxley). Ele vai-nos revelando lentamente não só o destino de um miúdo que se tornou perigoso, agressivo e imprevisível, mas também quais são as suas intenções para toda a comunidade. Mas fá-lo de tal forma, lenta e sorrateiramente, que nos engana tanto como às outras personagens e nos deixa, no final, a questionar como julgar as suas acções.

A segunda história, de Jennifer Pelland chama-se Personal Jesus (sim, a canção dos Depeche Mode). Aqui, o conceito é interpretado de uma forma muito material: o Personal Jesus é um objecto que cada pessoa no país tem inseparavelmente ligado ao seu corpo, controlando para sempre o seu comportamento pessoal e social através de choques eléctricos cheios de amor divino. O facto de estar escrito como uma enumeração de regras, como se se trata-se de um panfleto sobre como viver nos Ecclesiastical States of America, torna tudo ainda mais engraçado.

A última história é The Perfect Match de Ken Liu e começo já por informar que não é só uma história romântica como o nome poderia indicar. Aliás o conto foca-se principalmente na exploração da sociedade a que este mundo com algoritmos que controlam a informação que temos e as comunicações que vemos pode levar. Houve alguns momentos em que o narrador decide começar a oferecer a sua interpretação das coisas em vez de a deixar ao critério do leitor, algo irritante em especial dado o tema, mas em geral é uma boa história que questiona situações extremamente relevantes nos dias de hoje. O autor não só nos lembra do quão controlados somos por quem decide o que aparece nas nossas listas e timelines mas também de quais seriam as consequências de vivermos isolados, cada um exposto apenas às coisas que, a priori, é provável gostar.

O livro termina com algumas listas de recomendações de filmes ou livros distópicos, algo que eu nunca mais devia ver, sob pena de ficar sem dinheiro e espaço no quarto para viver.

Esta selecção funcionou muito bem como uma previsão da antologia, e gostei de tal forma que quero comprar o livro, que me parece de recomendar não só a quem como eu adora distopias como a fãs de ficção curta e ficção científica em geral.

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