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Thursday, 4 July 2013

Follow the Money: The Money Trail Through History by Ruben Alvarado

Há muito que queria começar a ler sobre finanças e economia e quando a oportunidade de ler um livro sobre a história do dinheiro através do NetGalley não podia deixa-la escapar.
Ruben Alvarado transporta o leitor ao longo da nossa própria história, desde as primeiras trocas de produtos até ao dinheiro como o conhecemos hoje. Foi muito interessante ver a sua análise de vários momentos importantes da nossa civilização relacionando-os com o que aconteceu na altura com o dinheiro, desde o material de que era feito, a sua escassez ou abundância ou os seus movimentos internacionais até às primeiras experiências com dinheiro de papel e o abandono do gold standard. O livro termina na crise actual, no entanto não há aqui uma tentativa de a analisar mais profundamente do que as restantes situações referidas.
Há alguns momentos em que o autor se deixa levar pelas suas opiniões pessoais e se afasta de certa forma de uma análise isenta, mas em geral isto não se torna um problema. Por outro lado, a situação do dinheiro actual e de como as suas características afectam as sociedades podia ter sido explicada com maior detalhe, dado ser bastante mais complicada de perceber do que as anteriores.
Em geral, uma leitura rápida e informativa, que recomendo a todos os que tenham interesse nesta área, mesmo que completamente leigos em relação ao assunto do dinheiro.


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I've been wanting to start reading about finance and economy for a while so when this came up on NetGalley I couldn't miss the oportunity.
Ruben Alvarado takes the reader on a trip through our history, from the first trades to the creation of money as we know it today. It was really interesting to read his analysis of multiple moments of our civilization intertwining them with what happened with the money at the same time, from the material it was made of, its scarcity or abundance, its international flow to the first experiences with paper money and the abandonment of the gold standard. The book ends at the current financial and economic crisis, though the author doesn't emphasize its analysis over the past history.
There are some moments when the author gets somewhat carried away with his own opinions undermining his impartial analysis but in general this doesn't become a problem. On the other hand, current money and how its characteristics affect societies could have been explained in more detail because it is quite more difficult to understand than past situations.
All in all, a quick and informative read that I recommend to all interested in this area, even if completely new to the subject.

Sunday, 24 February 2013

Política, Sociedade, Economia e Steampunk - progresso tecnológico vs. social

Fiquei a pensar nisto depois de ler um post no Aventar. Na verdade é algo em que penso de vez em quando, mas desta feita, foi esta história de alguém se recusar a pagar nas caixas self-service por querer manter os empregos dos operadores de caixa registadora que me trouxe ao assunto.
É claro que esta preocupação é compreensível, aliás, é até típica do momento em que vivemos. É mais sobre essa questão que me quero debruçar.

A literatura e a animação ditas steampunk (algo a que ando um pouco mais dedicado no último ano) exploram frequentemente esta questão da substituição do homem pela máquina e as consequências disto para a sociedade. Foi aliás com isto em mente e pela analogia com o momento que vivemos hoje que escrevi o texto com que participei no Almanaque Steampunk 2012. Aquela visão crítica que levou os trabalhadores contemporâneos da revolução industrial a revoltarem-se contra as máquinas e os motores a vapor é contraposta frequentemente nas obras steampunk com os benefícios que o progresso tecnológico pode trazer. As conclusões, se o livro for bom, são deixadas à discrição do leitor. Aquilo que permite esta contraposição, que nos impede de dar imediatamente razão aos trabalhadores, é a esperança, e é agarrado a ela que vem o tom positivo ou optimista que se encontra muitas vezes nestas obras. A esperança de que o progresso nos fará bem a todos, a esperança de que a sociedade vai apoiar os trabalhadores que vão sendo substituídos na sua transição para outras funções e a esperança de que isto permite que as pessoas se ocupem somente com funções em que seja mesmo essencial um ser humano ou com funções que gostem genuinamente de realizar. O progresso tecnológico deveria permitir aos seres humanos vidas cada vez mais descansadas, uma menor dependência do trabalho (principalmente o físico) ou pelo menos uma necessidade de trabalhar restrita a poucas horas ou dias, e a rentabilidade do uso de máquinas deveria resolver o problema da produtividade permitindo eliminar a diferença de qualidade de vida entre os que ganham muito e os que ganham pouco, os que têm ou deixam de ter emprego.
Infelizmente, nem que tecnologicamente tudo isto fosse possível, a nossa sociedade não está pensada dessa forma. As pessoas acreditam no valor do trabalho quase como uma definição do valor da pessoa. Se imaginássemos um mundo em que as pessoas não teriam que trabalhar praticamente nada porque as máquinas o fariam por nós, muitos nos diriam que isso seria horrível e que decerto a humanidade se perderia no ócio e se destruiria. Se isto é verdade ou não, pelos vistos não estamos perto de o descobrir.

A verdade é que as pessoas que lideram a nossa sociedade, nas sombras ou não, não querem que o progresso se faça às claras e nessa direcção. Porque isso implicaria uma divisão de recursos relativamente igualitária, implicaria que deixaríamos de ter desculpa para manter tanta gente na miséria ao mesmo tempo que sustentamos tantos milionários. Se um dia o valor de uma pessoa e o seu acesso aos produtos não for determinado pelo seu trabalho, e esse trabalho não for controlado por estes mesmos "jogadores", como é que eles se poderiam manter a viver no topo do mundo, com mais do que quaisquer outros, com tudo o que possam imaginar? Só seria possível se o progresso de facto nos levasse a uma certa utopia em que a produção fosse tão elevada e rápida que não haveria limites ao consumo para nenhuma pessoa.
Para já, o facto é que ainda não estamos perto disso, aparentemente o ser humano ainda precisa de trabalhar muito para se sustentar (ou é isso que nos querem fazer acreditar - teoria da conspiração?). Para além disso, à conta de quem nos dirige e define as nossas prioridades (não digo só a nível nacional, mas também e principalmente internacional), não temos de todo um bom sistema de suporte àqueles que, sendo substituídos nas suas funções por máquinas, perdem o emprego que justificava o seu acesso a bens e serviços. É que, no momento em que vivemos, nem há expectativa da pessoa ter outro emprego em tempo útil, nem da sociedade usar excedente para sustentar esta pessoa enquanto espera e muito menos da pessoa poder viver sem emprego e dedicar o seu tempo ao que lhe der na cabeça, por exemplo em actividades que contribuam ainda mais para o nosso progresso (demasiada utopia?).

Enquanto não nos livrarmos desta liderança, desta ditadura social e económica, desta ilusão em que nos obrigam a viver, será sempre legítimo fazer o raciocínio que Mário Teixeira partilhou no Aventar. Porque, ao contrário do que nos tentam constantemente fazer crer, mais importante do que o futuro, o progresso tecnológico, a produtividade numa tarefa específica, mais importante que tudo isso nas nossas decisões a cada momento é a pessoa, aquela mesma pessoa cujo destino estamos a decidir constantemente, sempre que optamos pela máquina e a deixamos entregue a um sistema que, como acabo de descrever, não fará nada do que promete, não a protegerá e, aliás, usará o seu desespero e o de tantos outros para lhe oferecer um trabalho ainda menos remunerado. Enquanto não nos salvarmos disto, não saberemos de facto em que ponto estamos a nível de produtividade, de rentabilidade, de possibilidades quanto à justa divisão de esforços e produtos. Infelizmente, e olhando especificamente para Portugal, não vejo maneira de isto acontecer. Todas as forças políticas de representação parlamentar e praticamente todas as opiniões mediáticas concordam pelo menos nesta ideia de valorizar os "trabalhadores" ou o "trabalho" em vez de valorizar a pessoa. A direita faz-nos crer que as pessoas têm que se esforçar para ser as melhores no seu trabalho e que assim terão uma boa vida, a esquerda agarra-se ao discurso dos direitos dos trabalhadores. Poucos conseguem pensar, ou pelo menos fazer chegar ao público, uma visão que tenha em conta este ponto, que olhe para as pessoas independentemente do trabalho, do emprego, do contributo verificável. Poucos se questionam abertamente sobre a falta de progresso social apesar do tecnológico. Agarram-se à qualidade de vida medida por bens de consumo e esquecem-se que o que queríamos do progresso tecnológico era que nos permitisse fugir da organização feudal da sociedade, em que os ricos têm tudo porque são ricos, os que trabalham têm algo porque trabalham e os que não trabalham não interessam nada. Será que ainda faz sentido, nos dias de hoje, ver as coisas assim? Será que ainda não atingimos um ponto em que é ridículo esperar que toda a gente trabalhe tanto como as leis obrigam? Não sabemos. E é assim, feito anfíbio na panela com água a aquecer, que vamos nadando de um lado para o outro enquanto nos cozem em lume brando.

Thursday, 29 November 2012

Killing Them Softly by Andrew Dominik

Baseado no livro de George V. Higgins, Killing Them Softly (Matando-os Suavemente - sim, a tradução é mesmo esta) faz uma alegoria da crise através da observação do colapso de uma economia de poker ilegal. Inicialmente segue as duas personagens ingénuas, diria mesmo burras, a quem é proposto o roubo que dá o mote ao filme. Scoot McNairy e Ben Mendelsohn estiveram muito bem, sempre estranhos e engraçados. A sua conversa enquanto um deles está sob efeito de heroína arrancou-me gargalhadas. O ponto de vista muda entretanto para Jackie, contratado para investigar o roubo e lidar com os culpados. Brad Pitt esteve bem como é costume, muito embora a sua personagem esteja frequentemente na linha entre o misterioso e o simplesmente absurdo. Ainda quando aos actores, de destacar James Gandolfini cujo Mickey, um assassino a soldo peculiar, serviu bem de comic relief.
As cenas de pancada e homicídio são para mim das melhores do filme: brutais, mas tanto e não mais que a realidade.
Ao longo do desenvolvimento da história são ouvidos ou mostrados vários discursos de George W. Bush ou Barack Obama, colocando-se contemporâneo à primeira eleição deste último e com isso clarificando (por vezes até demasiado) o paralelismo que se pretende fazer entre os EUA e a situação ilustrada no filme. No final há uma cena em que Jackie acaba mesmo por discursar, revelando o propósito do filme, fazendo ele próprio a comparação entre o país e um negócio, tendo-se tornado a meu ver no pior momento do filme. Killing Them Softly foi tão óbvio que bombardear a audiência com a conclusão que deveria simplesmente estar implícita, ou à qual poderiam chegar pensando um pouco sobre o filme, é absurdo e estraga o fim da história.
Outra questão a apontar é o ritmo do filme, demasiado lento e com mais que muitos momentos de silêncio no meio das conversas, desnecessários e por vezes irritantes.
Em jeito de conclusão, dizer apenas que Killing Them Softly é um filme engraçado, com um bom enredo e baseado numa metáfora inteligente, que contradiz a velha ideia da terra da oportunidade e liberdade e mostra as consequências da destruição de uma economia - como de resto ocorre hoje em dia com a nossa - mas que, por causa de alguns erros de realização e argumento, ficou aquém da excelência que poderia alcançar.

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Based on the novel by George V. Higgins, Killing Them Softly is an allegory of the american and global economic crisis, here explored through the disruption of a gambling community. It initially follows a couple of naive run of the mill dumb ex-cons who are given the "opportunity" of making money stealing from the poker gamers and letting another take the fall for it. Scoot McNairy and Ben Mendelsohn make for two really funny characters and their conversation while one of them is heroin-high had me laughing throughout. The point of view then changes mostly for Jackie, the "enforcer" hired to investigate the heist and deal with the culprits. Brad Pitt is as good as usual, though his character sometimes walks the line between being mysterious and just outright nonsensical. Speaking of performances, I must also give thumbs up for James Gandolfini as Mickey, a good comic relief halfway through the film.
The predictable beatings and deaths are very well depicted, realistic even, nor too much nor too little bloody or gory and for me became some of the best visual scenes. All along the film we are shown, in parallel to the plot, multiple speeches both from GW Bush and Obama, making clear (sometimes even too much) the point of the film. By the end there is a scene where Jackie is far too straightforward and, first while critiquing one of Obama's speeches and after while talking with his contractor, says word by word what the plot was supposed to make you think about. This was for me the worst moment of the film, absurd, unnecessary and spoiling the end.
The other down point of Killing Them Softly is the pace. It is too slow, had a dozen too many silent moments in the middle of otherwise normal conversations and had me eye-rolling once in a while.
All in all a fun film with a good plot and an intelligent if far too literal metaphor, that rejects that fake awe-inspiring idea of land of freedom and opportunity, shows what can happen when the economy is as broken as ours is right now, but sadly fails to excel.