Wednesday, 7 August 2013

Immersion by Aliette de Bodard

Finalmente li Immersion, a história de Aliette de Bodard que ganhou o Nebula, o Locus e foi nomeada para o Hugo e os BSFA. Desde que li a sinopse, na altura em que ouvi falar das nomeações, fiquei interessado e deixei um separador do Chrome aberto na página da Clarkesworld onde foi publicada. Agora descobri que estava também disponível em audio, pelo que decidi experimentar ouvir. Apesar da interpretação da leitora não ter sido particularmente do meu agrado, dada a sobre-enfatização de certos diálogos ou pensamentos e a sua voz por demais suspirada, o facto é que adorei a história.
Sem querer revelar demasiado, até por correr o risco de estragar a leitura de quem ainda não conhece, basta-me dizer que Immersion é uma exploração bastante interessante da interacção entre culturas quando uma é dominante - do ponto de vista bélico ou económico por exemplo - e do quanto isso pode levar ao extremo problemas como a necessidade de aceitação ou o preconceito, principalmente quando se torna natural a assimilação da cultura dominante. Nesta história a questão é abordada através de um mecanismo que permite mais que uma tradução da linguagem, uma transformação completa de um indivíduo para a cultura da qual depende.
Com este pequeno conto, Aliette de Bodard pode chamar-nos à atenção quanto a vários problemas que a nossa civilização atravessa e com os quais devemos aprender a lidar da melhor forma, desde a assimilação da cultura americana pelos países desenvolvidos - por exemplo através do cinema e literatura que são produzidos e comercializados em massa e que afogam quase todos os outros mercados culturais - a confusão que se faz na Europa entre a pertença à comunidade europeia e a obediência às decisões dos países economicamente dominantes, a comunicação através de redes sociais, que não só nos dão imagens falsas como nos definem a forma de comunicar - por exemplo, a ausência do silêncio intencional: ou se comenta um post ou ninguém sabe que se leu o post e se optou por ignorar - até à limitação que uma pessoa pode sentir em ser ela própria quando tem que se adaptar a outra cultura - até que ponto pode um indivíduo ser tudo aquilo que é, manifestar a sua personalidade em pleno, quando tem que usar uma língua diferente, em situações quotidianas diferentes, com costumes diferentes e interpretações variáveis para os mesmos gestos ou comportamentos e até que ponto é ele capaz de se reconhecer depois de passar muito tempo a sustentar uma imagem culturalmente aceite?
Assim sendo, não posso deixar de recomendar a leitura de Immersion a todos e pondero agora ler algo mais da autora.


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I finally got to read Aliette de Bodard's Immersion, a short story that won the Nebula and the Locus awards and was nominated to the Hugo and BSFA. Ever since I heard of it I've been willing to check it out and kept a tab in Chrome with Clarkesworld where it was initially published. I found out it was also available in audio version, so I decided to listen and share it with a friend. Though the reader's interpretation wasn't particularly to my liking, I ended up really enjoying the story.
Without revealing too much and spoiling it, it's enough to say Immersion is a quite interesting exploration of the interaction between cultures when one of them is dominant and of how it can aggravate problems such as prejudice or need for acceptance and more so if people start considering its only natural to assimilate the dominant culture. In this story the issue is addressed through a machine that allows not only to automatically translate language but also to completely transform a person into what is expected in the culture that created it.
With this short tale, Aliette de Bodard makes us think on multiple problems that our civilization is going through right now and with which we must deal with in the best way, such as the assimilation of american culture by most developed countries - for example through cinema and literature with massive marketing - the confusion in Europe between belonging to the European Union and obedience to the decisions made by the economically dominant countries, the communication through social networks that not only give us false avatars but also define the ways we communicate - for example, the absence of intentional silence: or you comment a post or no one knows that you read it and decided to ignore it - or the limitation that one can feel when adapting to another culture - how can a person express herself fully, actually be her real self, when using a different language, in different daily situations, with different traditions and interpretations and how can that person recognize herself after a long period holding this culturally accepted avatar?
I can't recommend Immersion enough and I'm now looking forward to reading more from this author.

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